Gonzaga Filho

ARTES PLÁSTICAS

COMO ME APAIXONEI PELA PINTURA?

Lembro-me bem que foi no início do ano de 2002.

Estava eu bastante triste com alguns eventos que estavam a acontecer em minha vida e tanto escrevia, como ficava horas a rabiscar em um caderno... Meu filho, Pablo Neruda, então com oito anos de idade, gostava muito de desenhar e ficava me incentivando a acompanhar ele em seus desenhos...

Comecei a me interessar e conheci uma pessoa que me deu várias dicas sobre pintura sobre tela e eu fui ao centro comercial em Natal – RN, comprei telas, tintas e pincéis e comecei a “borrar telas”...

Esse meu amigo, era fotógrafo... O nome dele é João Costa, morador da zona norte de Natal e muito me incentivou a continuar a pintar, pois segundo o que ele me falava, a técnica viria com a persistência e eu acreditei e criei um acervo de dezenas de quadros pintados em acrílico sobre tela.

O HOBBY

Tudo começou como um passatempo, um puro hobby, mas com o passar do tempo o meu acervo foi crescendo e fui convidado a fazer algumas exposições dos meus trabalhos.

Isso muito me alegrou, pois era o reconhecimento daquilo que eu fazia apenas por amor, sem nenhuma intenção de retorno financeiro ou até mesmo de fama.

Continuo na mesma linha. Não busco fama e nem tampouco ganhar dinheiro com as minhas pinturas... Nelas procuro me encontrar como pessoa, pois a arte para mim é tão salutar como o ar que eu respiro.

HOJE, PURO AMOR PELA ARTE...

Hoje dedico o meu tempo e o meu amor à poesia e a arte. Crio de uma forma que não consigo controlar... As pessoas que me cercam, talvez até não entendam o meu modo de ser e de ver a vida, mas eu tenho uma visão de mundo diferente e tento, pelo menos tento, por em palavras ou nas minhas pinturas, todos os sentimentos que tomam conta de mim.

Pode parecer estranho, mas o meu amor pela arte é puro e é normal.

Quero apenas ser feliz a minha maneira... Ter o meu próprio tempo e espaço para poder criar cada dia mais, até o momento que eu terminar a minha missão e for chamado de volta.

MEU ATELIÊ

Em meu ateliê, no Centro Cultural Francisco José de Santana, eu me sinto como se estivesse no paraíso... O cheiro de tintas, o visual mágico da policromia, o mergulho abstrato em um mundo surrealista que me rodeia.

É isso o que me fascina. São momentos como esse, em que estou confinado neste meu mundo particular, que consigo esquecer os problemas que afligem o meu corpo carnal e que acabam manchando de cinza a minha aura espiritual.

Em meu ateliê eu me perco e me encontro... Fujo em cada linha pintada e retorno em cada pincelada colorida que dou no branco de uma tela.

RECEBENDO VISITAS...

Fico bastante feliz ao receber pessoas em meu ateliê... Respondo a cada pergunta feita com um imenso prazer, é como se eu estivesse apresentando um filho meu as pessoas, no momento em que estou falando dos meus quadros.

As perguntas mais frequentes são: “Como começou pintar?” ”O que significa esse quadro?” “Em que você se inspirou para pintar isso?” “Que estilo de pintura é esse seu?”.

Incrível. Mas, eu adoro todas essas perguntas... Adoro o interesse das pessoas pela minha arte.

Não. Não estou interessado em fama e nem dinheiro, o carinho das pessoas que gostam da minha arte já me basta.

ESCOLAS VISITAM O MEU ATELIÊ...

Não há dinheiro no mundo que pague a satisfação de ver um monte de crianças visitando o meu ateliê...

Quando há visita de escolas, é uma felicidade só, em ver os corredores do Centro Cultural cheio de vida, de sorrisos puros das crianças.

Cada um que queira saber de algo a sua maneira, com suas perguntas mirabolantes e seus sentimentos verdadeiros quando dizem “gostei” ou “não gostei”.

É um misto de satisfação e de realização.

RESPIRO ARTE E POESIA...

Não posso parar de respirar arte e poesia... Não posso ser extirpado desse meu mundo surrealista... Não posso parar de mergulhar nos meus versos e nem tampouco em minhas pinceladas...

Qualquer tentativa de alguém em querer mudar o meu mundo, me se sinto castrado e perco a vontade de viver...

Esse é o meu mundo... Essa é a minha vida... Essa loucura me pertence...

Quero tão somente viver!

Não retirem o oxigênio que eu respiro através das minhas criações.